Verbos Italianos: Passato Remoto (indicativo)

Ciao ragazzi, tutto a posto? Spero di trovarvi bene. Adesso è arrivato il momento di studiare il passato remoto. Vi chiedo di dare un’occhiata al post sul passato prossimo, così sarete capaci di fare un paragone tra l’uno e l’altro e capire le principali differenze. Il passato prossimo, come abbiamo studiato, è usato per esprimere un fatto compiuto nel passato i cui effetti perdurano nel presente. Vi ricordate?

Passato Remoto

Tradução: “Te amo”, ela disse, e riram juntos. Depois, um dia, ela disse: “Te odeio” e choraram. Mas não juntos.

Antes de tudo, gostaria de lhes dizer que até mesmo para os italianos o uso desse tempo verbal acarreta não poucos problemas, pois muitos verbos são conjugados de forma irregular, suscitando muitas dúvidas na hora de usá-los. De modo geral, podemos afirmar que o passato remoto é muito mais usado no sul da Itália, sobretudo por influência dos inúmeros dialetos meridionais. No norte da Itália prevalece o uso do passato prossimo. Eu morei por 7 anos no Salento, que fica bem no finzinho do salto da bota, exatamente na província de Lecce. Pois bem, daqueles lados de lá, acontecimentos que se verificaram a menos de 24 horas são expressos no passato remoto! Para mim, que acabara de me mudar para lá, com a cabeça cheia de regras gramaticas, foi como tomar um banho de água fria. Afinal, as diferenças entre um e outro tempo verbal passavam, quase sempre, por uma questão geográfica ou psicológica, como veremos a seguir. Vale ressaltar que o uso do passato remoto é muito comum na literatura, sobretudo a infantil, enquanto na língua falada prevalece o uso do passato prossimo.

 O passato remoto, assim como o passato prossimo, indica uma ação concluída no passado. Então, qual é a diferença entre eles? Como vocês já terão entendido, os gramáticos da língua italiana fazem uma distinção bem simples:

O passato prossimo, formado pelo presente de um verbo auxiliar, ESSERE ou AVERE, e pelo particípio do verbo principal, que indica a ação ou o estado, expressa um fato concluído no passado, mas que mantém uma relação com o presente.

Anna è andata via dalla festa 10 minuti fa Anna foi embora da festa há 10 minutos.
Carlo ed Io ci siamo lasciati un anno fa Eu e Carlos nos separamos  há um ano.
L’unificazione italiana è avvenuta nel secolo scorso A unificação italiana ocorreu no século passado

A frase B ilustra muito bem o significado de se ter ou não relação com a presente, enquanto falamos de algo acontecido no passado. O “io” do enunciado sente-se ainda ligado, de algum modo, ao relacionamento que acabou há um ano, talvez ainda movendo alguma esperança de reconciliação. Já o exemplo C, extraído do livro Parole e frasi: grammatica italiana, de Dardano e Trifone, nos dá, perfeitamente, a ideia do que foi dito, uma vez que as consequências da unificação italiana duram até os dias atuais.

O passato remoto é usado para indicar uma ação concluída no passado, sem nenhuma ligação como seu desenvolvimento ou relações com o presente. A bem da verdade, não há uma regra que estabeleça quanto tempo se deva passar para que uma ação ou situação verificada no passado possa ser considerada próxima ou remota em relação a quem fala. Em poucas palavras, como vimos no exemplo B, a distância é, sobretudo, psicológica.

Carlo ed Io ci lasciammo un anno fa Eu e Carlos nos separamos há um ano.
Studiai Lettere 20 anni fa Estudei Letras há vinte anos.

Se observaram, na tradução das frases Carlo ed io ci lasciammo un anno fa e Carlo ed io ci siamo lasciati un anno fa, usaríamos em ambas o pretérito perfeito do indicativo. Então, como poderíamos indicar essa distância psicológica em uma tradução do italiano para o português das proposições em questão, se elas estivessem inseridas em um romance, por exemplo? Certamente, precisaríamos levar em consideração toda a trama da história, negociar com o texto e até mesmo com o autor, se possível, a fim de encontrar a melhor solução. Mas sobre essas questões de tradução falaremos em outro momento.

Agora vejamos como se conjugam os verbos no passato remoto, de acordo com os paradigmas abaixo:

Prima coniugazione: parlare

  • io parlai
  • tu parlasti
  • lei/lui parlò
  • noi parlammo
  • voi parlaste
  • essi parlarono

Seconda coniugazione: ricevere

  • io ricevetti (oppure: ricevei)
  • tu ricevesti
  • lei/lui ricevette (oppure: ricevé)
  • noi ricevemmo
  • voi riceveste
  • essi ricevettero (oppure: riceverono)

Os verbos da segunda conjugação (-ere), como terão notado, podem ter uma forma alternativa nas 1a e 3a pessoas do singular (io, lei/lui) e na 3a do plural (loro). Contudo, ricevei, ricevé e riceverono são formas raras, que encontrarmos sobretudo em textos literários.

Terza coniugazione: dormire

  • io dormii
  • tu dormisti
  • lei/lui dormí
  • noi dormimmo
  • voi dormiste
  • essi dormirono

Os verbos da 1a e da 3a conjugações (-are e –ire) são, NORMALMENTE, regulares. Os da 2a conjugação são, NO GERAL, irregulares. Para se ter certeza se um verbo é regular ou irregular, é necessário recorrer a um bom livro de verbos ou ao dicionário. Vocês já devem ter percebido que um verbo irregular, conjugado ao passato remoto, na sua conjugação completa, apresenta quer formas irregulares quer formas regulares, de acordo com a pessoa. Conjuguemos os verbos AVERE, onde a segunda pessoa (singular e plural) e a primeira pessoa do plural são regulares, enquanto as outras são irregulares.

AVERE

  • io ebbi
  • tu avesti
  • lui/lei ebbe
  • noi avemmo
  • voi aveste
  • loro ebbero

O verbo ESSERE, conjugado ao passato remoto, é completamente irregular, e muito próximo da conjugação do verbo SER no pretérito perfeito.

ESSERE

  • io fui
  • tu fosti
  • lui/lei fu
  • noi fummo
  • voi foste
  • loro furono

Alguns verbos irregulares apresentam a duplicação da consoante final na raiz: volere – volli;  cadere – caddi; bere – bevvi; tenere – tenni; rompere – ruppi; sapere – seppi, etc.

Espero que tenham conseguido entender as diferenças entre o passato prossimo e o passato remoto. Não hesitem em consultar um bom dicionário e uma boa gramática, caso surjam dúvidas.

Ouça o áudio:

Arrivederci e buono studio!

Cláudia

Cláudia Lopes

Claudia Lopes é formada em letras pela UFRJ (português – italiano). Morou 8 anos na Itália, lecionou português na Università degli Studi di Bari; fala inglês fluentemente e estuda alemão. Mantém atualmente o site Affresco Italiano.

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